|
Sabe-se que a Nuno Gonçalves nasceu lá em baixo, em São
Vicente, ainda antes da atribuição de um Prémio Nobel ao cientista
português Egas Moniz, mas só se dispõe de informação a partir de
1949.
Veio para aqui em 1951/1952, estrear estas instalações. Olhando
de fora o edifício, os alunos de então podem reviver sem dificuldade
esses tempos. O aspecto é o mesmo. De resto...
O País é outro. O bairro muito diferente. E Lisboa saía à rua
vestida de escuro, sob o olhar atento de Salazar, havia já mais de
vinte anos como chefe do governo. Carmona, cuja fotografia estava
pendurada nas escolas há 25 anos, dá o lugar a Craveiro Lopes.
Na rádio ouviam-se canções de Alberto Ferreira e de Francisco
José. “Teus olhos castanhos”... Músicas para embalar um povo que,
em 1952, tinha quase 50% de analfabetos.
No início do ano lectivo 1952/1953, enquanto Agustina Bessa Luís
escrevia o romance SIBILA, os meninos da Nuno Gonçalves viveram horas
de grande felicidade... Lisboa acorda coberta de neve, num cenário de
bilhete postal de país nórdico.
No mesmo ano, lá longe, muito longe, que os muros do regime
raramente deixavam que nos chegassem os ecos... a Rainha Isabel II
inicia o seu reinado, morrem Estaline, o compositor Prokoviev e a famosa
pedagoga Maria Montessori.
Também nesse ano, enquanto decorria a guerra na Coreia, os
actores Gary Cooper e Vivian Leigh ganham óscares.
Talvez os meninos da Nuno Gonçalves ignorassem que nesses dias
em que entravam na escola, lá longe estava a ser inaugurado o primeiro
avião comercial a jacto e era inventado o sintetizador de música
electrónico.
Mas, seguramente, não ouviam falar de Prémios Nobel da Paz e...
enquanto aprendiam História e Geografia da África Portuguesa, não
foram informados que, nesse ano, lá longe, esse prémio era atribuído
a um europeu que dedicou toda a sua vida a cuidar de doentes em África
– Albert Schweitzer.
Os rapazes da Nuno Gonçalves tiveram, contudo, a rara sorte de
serem recebidos por um Director que era um pedagogo, um humanista, um
poeta, um amigo do coração de Sebastião da Gama. Firme nas suas
convicções pedagógicas ( e políticas – era um “situacionista”,
como gostava de dizer), tolerante e inteligente no seu relacionamento
com todos: XAVIER ROBERTO.
Ainda era director em 1971/1972 e foi ele quem me recebeu no seu
gabinete quando me apresentei pela primeira vez na escola. Depois de
umas palavras calorosas e a oferta de uma maçã, passou do tom afável
a um tom circunspecto para, em 30 segundos, me deixar sem pinga de
sangue...
Recordou-me a existência da “Lei de Segurança do Estado”
que concedia poderes absolutos à policia política, contou-me do
telefonema que recebera e rematou dizendo-me: “Maria Helena, eles
quiseram impedir que ficasse aqui como professora, mas eu só recebo
ordens do Ministro da Educação. Tome o seu horário. Procure gostar e
compreender estes rapazes da Nuno Gonçalves. Conte comigo para a
ajudar. Eu sei que posso contar consigo”.
Saí do gabinete regozijando-me por ter vindo parar a esta
escola... E três décadas depois, posso dizer que, periodicamente, me
invade esta felicidade por estar na Nuno Gonçalves.
Com o que vos digo a seguir, creio que perceberão porquê...
Em 1971, o País pintava-se já de cores mais alegres. A moda
jovem ia chegando a Portugal, embora com meses de atraso. Em Lisboa
apareciam os “hot pants” e muitas de nós começavam a cobrir-se de
lilás e de laranja.
Em
Cascais realizou-se o primeiro festival de jazz e também nesse ano há
o 1º festival de Vilar de Mouros.
Contudo,
vivem-se ainda, em silêncios sofridos, os ecos da guerra colonial; lá
fora o massacre de Wiriamu em Moçambique envergonha a nossa pátria; o
governo de Salazar é condenado na ONU por um conjunto de deliberações.
Na Nuno Gonçalves, os rapazes frequentavam o 1º e 2º anos do
ciclo preparatório. A escolaridade era já obrigatória até ao fim do
ciclo, mas ficava-se muito aquém do seu cumprimento. Mesmo aqui na
escola, no centro e Lisboa, não só a taxa de insucesso era elevada,
como, por estranho que hoje possa parecer, havia alunos que desistiam
para ir ajudar os pais nos seus ofícios ou porque não tinham que calçar...
Apenas 20% dos nossos alunos seguiam depois para o ensino liceal ou técnico.
Nos dois anos que antecedeu o 25 de Abril, o número de alunos
aumenta e a escola passa a aceitar também raparigas. A frequência
masculina é bastante superior à femenina, tal como no resto do País.
Formam-se turmas de rapazes e turmas de raparigas. A criançada
encontra-se apenas no pátio e na cantina. É por essa altura que se
começam a ver mais pais e avós à saída da escola... não fosse o
diabo tecê-las...
 |
Os professores da escola – perto de uma centena – tinham já
então um dia a dia difícil, cansativo. Por outro lado, a sua situação
profissional era extremamente desqualificada. Muito respeitados pela
opinião pública, os professores eram ignorados pelo poder político,
enquanto classe.
|
 |
87% não eram efectivos e, por isso, não ganhavam em Agosto e
Setembro.
|
 |
A percentagem dos professores do sexo masculino era, no País,
grandemente superior à dos do sexo feminino; os quadros das escolas
para efectivação eram separados: um para homens, outro para mulheres
(este bastante mais reduzido). Creio que se pretendia, assim, desanimar
as mulheres na sua pretensão em exercer pela vida fora uma profissão,
mas também defender a docência como um território de autoridade, logo
masculino.
|
 |
O vencimento de um professor provisório era quase metade do de
um efectivo e, segundo a informação bibliográfica disponível,
equivalente ao de um contínuo da Caixa Geral de Depósitos. |
 |
A licença de parto era de apenas um mês.
Após 30 dias de doença, os professores podiam ser exonerados. |
 |
O horário semanal era de 24 horas – de 2ª a
Sábado – e
havia conselhos de turma mensais obrigatórios, que tinham lugar após o
termo do turno da tarde.
|
 |
As vagas para estágio eram muito
diminutas .
|
 |
As direcções das escolas eram nomeadas pelo Ministério e não
havia Conselhos Pedagógicos.
|
 |
O
direito de reunião e de petição estava-nos vedado – tal como a todos
os cidadãos – pelo que...
|
1972/1973
foi um ano de alvoroço nesta escola.
Aproveitando o facto do Ministério Veiga Simão ter convidado a
opinião pública a manifestar-se sobre o seu Projecto de Reforma do
Sistema Escolar, os professores da Nuno Gonçalves responderam com
prontidão e dinamismo aos apelos dos chamados Grupos de Estudo do
Pessoal Docente, uma organização não autorizada que veio a constituir
no 25 de Abril os primeiros sindicatos dos professores.
E... , a partir desta casa, apresentaram-se propostas,
recolheram-se assinaturas, deram-se grandes contributos para o que se
pretendia alcançar: o primeiro Estatuto do Professor. A dimensão
destas posições a nível nacional e a reivindicação crescente de um
sindicato, ultrapassaram o esperado pelo Ministro da Educação e
surgiram de imediato as tentativas de lhes pôr termo. Os governos civis
e a censura ameaçavam e actuavam.
Nesta escola, diferentemente do que se passou na quase totalidade
das escolas do País, os professores efectivos foram aos poucos
alinhando ao lado dos provisórios nesta batalha, o que fez com que a
Nuno Gonçalves fosse então vista como um dos exemplos de referência
na classe docente, em todo o País.
A própria direcção da escola – Xavier Roberto, Eduíno de
Jesus, Rosa Horta e Guilhermina Melo – fechou
os olhos a estas movimentações, arriscando a sua exoneração.
Mais... em 1973, em vésperas da aposentação do Director, os
professores da casa, animados pelo clima que se vinha vivendo na escola,
decidiram propor ao Ministério qualquer coisa de inédito: elegerem
para director um professor efectivo da casa.
E..., espantosamente para a época ... contaram com o apoio da
referida Direcção em funções, que assistiu à assembleia de votação
e tomou posição favorável em ofício enviado para o Ministro.
Claro que o sonho logo foi desfeito e chegou à Nuno Gonçalves
um novo Director nomeado, que recebemos, diga-se, com pouca afabilidade.
Alberto Jerónimo.
Talvez porque o tempo apaga as más memórias, recordo esses dois
anos antes da revolução como tempos de uma enorme proximidade entre os
professores e de grande empenhamento de todos no melhorar da qualidade
pedagógica. Havia estágios na escola e os professores provisórios
procuravam por todos os meios colher apoios de formação pedagógica
– didáctica junto dos orientadores e assistentes desses estágios,
preenchendo assim o quase total vazio deixado pelo Ministério na área
da formação.
E, depois... a Nuno era uma festa... Sucediam-se aos fins de
semana os almoços, os jantares de convívio a que não faltavam os cônjuges.
Neste ambiente de consciência profissional, de preocupação com
os alunos e de grande camaradagem, não nos espantou que, pacificamente
e sem esforço, se tenha dado, no 25 de Abril, a transmissão de poderes
da Direcção para uma Comissão de Gestão eleita por todos os funcionários
da escola. A atitude cordial e colaborante do então Director ajudou à
tranquilidade.
Em 1974/1975, o ano lectivo começou na data oficialmente
prevista, e com um novo espírito de abertura da Nuno Gonçalves à
comunidade educativa. Decorreu sem tumultos, sem traumas,
disciplinadamente e com um Projecto Educativo.
Nessa altura, a escola contava com 60 turmas de 32 alunos no
ensino diurno e 15 turmas no nocturno. Abrangia 22 freguesias.
Formaram-se, pela primeira vez, turmas mistas.
Nunca mais, como nesse ano, houve na escola tantos encarregados
de educação em acções de formação, tantos actores, tantos músicos,
em trabalhos de complemento curricular. Dão-se os primeiros passos para
a formação de uma Associação de Pais. Fica-se à beira da instalação
de uma creche para os filhos dos funcionários.
Forma-se logo no início do ano o 1º Conselho Pedagógico,
antecipando qualquer legislação sobre esta matéria.
Criam-se as primeiras actividades de ocupação dos tempos livres
para os alunos. Procede-se a modificações nos espaços das instalações,
com vista a um melhor aproveitamento.
Nos anos que se seguem na década de 70, vive-se a formalização
legislativa de muitas das aspirações dos docentes e encarregados de
educação. Os programas são renovados e o sistema de avaliação sofre
modificações.
A gestão pedagógica tornou-se uma realidade apoiada pela lei e
envolveu com entusiasmo os docentes da Nuno Gonçalves; o alargamento do
número de vagas para estágio e uma maior estabilidade do corpo
docente, entretanto assegurada pela legislação, vieram permitir avanços
significativos na qualidade do ensino aqui ministrado.
Foi ainda na década de 70 que se fizeram as primeiras obras de
vulto na Nuno Gonçalves: substitui-se a estrutura do telhado e a
cobertura do edifício principal que apresentava risco de ruir; fazem-se
obras nas oficinas; substitui-se o sistema eléctrico de iluminação;
abre-se a porta do lago para o recreio; equipa-se de novo a cozinha.
Mas é na década de 80, com a Reforma do Sistema Educativo e a
abertura da escola à “profissionalização em exercício” que a
Nuno Gonçalves vive os anos de maior dinamismo pedagógico. Poucos
foram os professores e até trabalhadores não docentes da escola que
conseguiram manter-se à margem do turbilhão de iniciativas que
envolviam as turmas e, por vezes, os encarregados de educação.
É nos finais da década de 80 e início da década seguinte que
se concretizam nesta escola os projectos mais enriquecedores e
inovadores. Nos clubes, mas não só. No âmbito da Área Escola, houve
iniciativas que envolveram os encarregados de educação, levando a
escola ao bairro e que perduram na memória dos que nelas participaram:
os Jogos Olímpicos, os festejos de Carnaval com os Gigantones são
penas exemplos.
Nos primeiros anos da década de 90, quando ficavam já para trás
aos tempos dourados da dinâmica da profissionalização em exercício,
saíram da escola alguns dos professores mais activos e experientes. A
Nuno sofre por algum tempo de um certo abrandamento no seu ritmo.
Em 1991/1992, abre para o 3º ciclo e vê instalado o Serviço de
Psicologia e Orientação cujo apoio se vem a revelar para além do
esperado e precioso.
Seguem-se anos em que a escola se volta, sobretudo, para o
aperfeiçoar de instrumentos e de competências essenciais à sua
organização pedagógica.
O novo sistema de avaliação – entretanto introduzido –
centrou a atenção e o rigor dos docentes e determinou melhorias na
qualidade dos processos de ensino/aprendizagem. Estreitou-se a ligação
com os encarregados de educação que se consolidou com a constituição
da sua Associação. Os alunos criaram a sua organização associativa.
Fizeram-se melhoramentos nas instalações e o equipamento foi
totalmente renovado. Porém, não foi ainda nesta década que se
conseguiram os laboratórios nem as condições mínimas indispensáveis
à aprendizagem das Ciências. Não foi ainda nesta década que nos
foram dadas as possibilidades de um adequado funcionamento dos
Departamentos: os espaços para reuniões são, de década para década,
mais insuficientes.
Quinze anos de diligências em vão junto dos sucessivos Ministérios
da Educação...
Nos finais da década de 90, na Nuno Gonçalves, começa a
verificar-se uma renovação quase galopante do corpo docente. Os
quadros não são alargados, pelo contrário, fecham-se vagas: é um
corrupio de professores que entram e logo saiem. Quando a escola os começa
a conhecer, e eles a escola, já estão de saída. É a escola-empresa,
dos “contratos a termo certo”, com enormes perdas na
“produtividade”...
Não foram fáceis os últimos anos dessa década: foram anos de
cansaço, de algum desânimo, mas também de grande sentido de
responsabilidade por parte dos que trabalhavam nesta escola – docentes
e não docentes.
A Nuno Gonçalves viu-se, pela primeira vez, perante situações
graves de indisciplina, mas não se deixou submergir. Em grande parte
resultantes do confronto com as profundas alterações sociais e
familiares que invadiram o sistema educativo.
Num contexto de quebra de autoridade no seio das famílias, de um
cada vez menor acompanhamento das crianças e jovens pelos pais, da
perda de referências no respeita a valores, tem sido notória a ausência
de apoios institucionais aos professores e às famílias. É irresponsável
a persistência com que sucessivos ministérios da educação apresentam
soluções para este tipo de problemas apoiando-se em modelos pedagógicos
que vão variando, mas mantêm uma característica comum: estão
esgotados no tempo e desajustados da realidade das escolas e do País.
Desde o início do século XXI, há um novo fôlego na Nuno Gonçalves.
A introdução crescente das novas tecnologias de informação na escola
trouxe já frescura e operacionalidade nos serviços; a Reorganização
Curricular desencadeou uma nova dinâmica nos processos de ensino e
aprendizagem.
Não tenho dúvidas que se conseguirmos a concretização de
condições dequadas ao ensino das ciências experimentais e o
apetrechamento básico, essencial ao recurso às novas tecnologias de
informação e comunicação, poderemos melhorar significativamente o
sucesso escolar dos nossos alunos.
Há 28 anos que a Nuno
Gonçalves não abdica de uma intervenção activa dos seus docentes na
definição da sua orientação pedagógica. Permitam-me que testemunhe
que há aqui uma cultura de participação na gestão pedagógica que
tem passado de década para década. Que é alimentada pelos sucessivos
Conselhos Executivos. Que é estimulada pelos sucessivos Conselhos Pedagógicos.
Que a generalidade dos professores não aliena.
Sempre houve, no período
em que conheci a Nuno Gonçalves, isenção politico-partidária por
parte dos seus orgãos de gestão, o que permitiu que ocorressem-se, por
vezes, grandes debates na escola, em torno de difíceis opções de política
educativa, sem crispações.
Permitam-me que testemunhe que os professores desta escola têm
tido ao seu dispôr um amplo espaço de diálogo sobre as orientações
e as práticas pedagógicas, e a abertura para a inovação.
Contudo, creio que, nem sempre nos determinámos em vencer
barreiras quase atávicas de conservadorismo pedagógico. É a minha
opinião. De pouco vale, mas não conseguia deixar por fazer este
desabafo, no ano das comemorações dos 50 anos da escola.
Permitam-me, no entanto, que saúde e agradeça àqueles colegas
cuja prática é um exemplo de que se pode ir com êxito em sentido
diferente, procurando soluções novas para problemas velhos.
Permitam-me ainda que saúde e agradeça àqueles encarregados de
educação que têm procurado superar obstáculos pessoais para se
tornarem efectivamente nossos parceiros nos processos de aprendizagem
das nossas crianças e jovens.
Pediram-me que vos deixasse aqui o meu olhar sobre décadas da
minha vivência da Nuno Gonçalves. Foi subjectivo como não poderia
deixar de ser.
Não referi nomes. Cairia, se o tivesse feito, na maior das
injustiças. Mas foi terrivelmente difícil omiti-los, tantos foram os
obreiros da Nuno Gonçalves que conheci e admiro. Passaram-me pela memória,
estes dias, dezenas de nomes de trabalhadores – docentes e não
docentes – que marcaram a escola pelo seu elevado profissionalismo.
Espero contudo o vosso apoio nas duas excepções que abro, por
simbolizarem, nas três últimas décadas, um projecto educativo e um
exemplar desempenho.
Permito-me assim destacar:
O grupo disciplinar de Educação Física pela continuidade, pela
qualidade e pela quantidade das iniciativas mobilizadoras dos alunos, ao
longo de dezenas de nos, colocando a Nuno Gonçalves no mapa das escolas
do País.
A Srª D. Maria José Venâncio, recentemente reformada, mas que
não esquece esta casa e que esta casa não esquece. Inexcedível
profissional durante dezenas e dezenas de anos, quer como simples
auxiliar de acção educativa, quer como Chefe deste corpo de funcionários.
Admirável no relacionamento com todos quantos por aqui passaram.
Nesta
sessão em que alguns de nós, os mais velhos, tivemos uma oportunidade
de reencontro, constatamos com tristeza que nos faltam alguns. Uns não
souberam, outros não puderam estar presentes. São abraços penas
adiados.
Mas
outros há – colegas professores e outros funcionários – que
seguramente estariam aqui, se não tivessem sido reformados
compulsivamente desta vida. É nesses que penso agora. A cada um de nós
fará mais falta, hoje, este ou aquele. Todos serão certamente
lembrados, passando na nossa memória. Pela minha passam dezenas de
nomes, mas quero partilhar convosco a dor que sinto por não estarem
aqui os professores:
Guilhermina Melo e José Maria Costa Parente que foram incansáveis
na sua dedicação à Escola;
Manuela Lino, Rosa Horta e Angela Resende que sendo excelentes
professoras desta escola não se cansaram de lutar pela dignificação
da função docente;
Helena Serôdio que esteve apenas dois anos na Nuno Gonçalves
para fazer estágio, mas deixou um rasto de competência e de dignidade
que foi exemplo para muitos de nós.
Sei
que foi demasiado longa esta intervenção.
Mas
pediram-me que contasse o que vivi na Nuno Gonçalves.
Só
quando comecei a pensar no que dizer, percebi que ia falar de 30 anos da
minha vida nesta casa.
Espero
que compreendam que teria sido extremamente difícil fazê-la em menos
tempo.
Acreditem
que foi violento ter que condensar e não me deixar arrastar por um
turbilhão de histórias, de emoções e de afectos...
Maria
Helena Pato, intervenção na sessão solene das comemorações do 50º
Aniversário da Escola Nuno Gonçalves, em 4 de Dezembro de 2002
|